quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

Entrevista de Nelson Piquet ao Diário da Manhã

Diário da Manhã - Uma avaliação sobre os primeiros passos de Pedro Piquet no kart?
Nelson - É impressionante como ele leva a sério, como é constante, o que ganha. Nasceu vencendo. O Pedrinho é muito dedicado não só no kart, mas na escola também. É um menino que se esforça muito no que faz e acho que isso é bom e faz parte da educação. Ele é comprometido nos horários, tem velocidade e uma boa performance. Agora, dessa idade até chegar lá na F-1, tem muita água debaixo da ponte. Mas o começo tem sido bom e vou colaborar com o futuro dele, caso seja sua vontade.

DM - Ele é mais rápido que o Nelsinho Piquet se compararmos a mesma época?
Nelson Piquet - Sim. Se for comparar diretamente nos anos, ele é muito melhor que o Nelsinho. O Pedrinho vem ganhando desde o primeiro ano. Já o Nelsinho demorou para se firmar no kart; o Pedro, não. E ninguém pode dizer que temos o melhor equipamento, porque é tudo sorteado.

DM - O kart é uma escola para a formação de futuros campeões?
Nelson Piquet - O kart é o trampolim para se chegar lá; não há dúvidas. Mas não adianta ficar forçando um garoto a querer correr se ele não tiver vontade própria. É preciso ter vontade de correr. Lógico que talento faz a diferença, mas é preciso querer competir. A família Piquet é formada por campeões e pilotos apaixonados por velocidade. Isso faz a diferença na formação. Mas, por outro lado, a cobrança é maior por resultados expressivos.

DM - O que deve ser trabalhado nos primeiros anos de kart?
Nelson Piquet - Principalmente o lado emocional. Desde pequeno, o kartista precisa saber lidar com as situações de pressão que ele vai encarar na carreira. Isso é o dia-a-dia. O kart é uma formação, mas os resultados nas competições não valem tanto. Aqui (no kart) é mais para se ver o talento. O que vale é treinamento e disciplina. É preciso aprender para o futuro.

DM - E o futuro do Nelsinho na F-1?
Nelson Piquet - Estou bastante animado. No próximo ano, vou acompanhá-lo com mais freqüência. Na primeira temporada, fui poucas vezes por causa de compromissos particulares. Ele está feliz, renovou com a equipe, e tem tudo para superar o que fez em 2008. Não tenho dúvidas que o primeiro ano foi de aprendizado. Agora ele já conhece todas as pistas e vai estar ciente do que fazer em cada circuito. Ele ganhou bastante experiência; isso não se pode negar.

DM - Uma avaliação do primeiro ano do Nelsinho.
Nelson Piquet - O Nelsinho fez uma temporada muito ruim. Acho que ele foi infeliz, porque o time estava mal logo no seu ano de estréia. Além disso, ele teve pouquíssima atenção na equipe Renault. No momento em que ele mais precisava de apoio, os caras não deram. Vamos ver se na próxima temporada isso muda. É preciso ter um pouco de preferência na equipe, mas fica difícil quando se tem um companheiro que é muito bom e já ganhou dois campeonatos mundiais. Ele acaba ficando meio jogado no time.

DM - Tem como mudar essa situação na equipe?
Nelson Piquet - Claro. Ele precisa começar a ser igual ou melhor que o Alonso. Com isso, ele vai acabar ganhando mais respeito na escuderia e, com certeza, irá dividir as atenções com o bicampeão. Acredito que ele cresceu muito trabalhando e convivendo com o espanhol. Isso também fará a diferença na sua carreira. Digo mais uma vez: meu filho não será segundo piloto de ninguém.

DM - Bruno Senna está certo em querer entrar logo na F-1?
Nelson Piquet - A equipe Honda ainda não definiu se renova com o Rubens Barrichello e está fazendo testes com o Bruno Senna e com o Lucas di Grassi. Acho que o Senna tem muito talento, mas começou a correr depois de velho e isso atrapalha muito no futuro e na formação de um campeão. Mas ele tem a velocidade no sangue e isso faz a diferença também.

DM - Di Grassi ou Senna: quem tem mais talento?
Nelson Piquet - Vou falar o que escuto, porque não estou próximo aos pilotos. Acho que o Bruno Senna tem talento e pouca experiência. O Di Grassi tem muita experiência e não tem talento nenhum. É o que escuto no meio da velocidade. Agora fica difícil dar uma opinião sem estar acompanhando o dia-a-dia do piloto.

Nenhum comentário: