
James Clark ou mais conhecido como Jim Clark (Kilmany, Escócia, 4 de Março de 1936 - Hockenheim, Alemanha, 7 de Abril de 1968) foi um piloto de corridas britânico que se destacou principalmente na Fórmula 1, ainda reconhecido como um dos maiores talentos do esporte a motor.
Seu nome era James Clark Jr. vindo de uma família de fazendeiros em Kilmany, Escócia, sendo o filho mais novo e o único menino.
Começou a se interessar por corridas aos 15 anos, participando de eventos amadores de rali já aos 17. Aos 20 anos, em 1956, com a idade minima exigida na época em seu país, começa a participar de competições de verdade. Mas nesse ano, como em 1957 ainda prioriza o serviço na fazenda de seus pais. Em 1958, corre pela primeira vez fora do Reino Unido, em SPA. Não gostou da pista desde o primeiro encontro. No mesmo ano conhece Colin Chapman, participando em 26 de dezembro de sua primeira corrida com um modelo Lotus, o Elite. Com o mesmo carro, quase vence na sua classe, em sua primeira participação nas 24 horas de Le Mans, em 1959. No final do ano disputa uma corrida de Fórmula júnior (hoje fórmula 3), com um Gemini. Foi sua primeira corrida com um carro de Fórmula (apesar de antes ter participado de eventos chamados "formula Libre" ele disputou os mesmos com carros turismo ou esporte, dependendo do evento- as vezes participava de mais de um evento de uma vez, com carros diferentes). Após 50 vitórias em Ralis, subidas de montanha, speed trials, corridas de carros sport e carros turismo, Clark começa a correr nas categorias monoposto (ou "de Fórmula").
Em 1960 Clark disputou e venceu 2 campeonatos ingleses de Formula Junior ( ou fórmula 3), um deles empatado em pontos com seu companheiro Taylor. Simultaneamente, participava de eventos de fórmula 2 e fórmula 1. Nesse mesmo ano, com um Aston Martin superado, chegou em terceiro lugar nas 24 horas de Le Mans.Nesse primeiro ano de aprendizado na Formula 1 o nivel do desempenho de Clark foi considerado muito bom em relação aos demais pilotos e otimo para um estreante. Mas o piloto e aqueles que o conheciam sabiam que ele rendeu menos do que poderia, mesmo sendo debutante. Entre os pilotos que corriam de Lotus, incluindo os particulares (teoricamente não havia limite de carros por equipe), Clark inicialmente largava sempre em ultimo, só aos poucos se tornaria o piloto mais rapido da Lotus (salvo eventualidades), posição conseguida algumas vezes em 1961 e consolidade no ano seguinte. Por outro lado, desde o inicio Jim se mostrava estremamente tecnico e inteligente para estabelecer um ritimo de corrida, poupar o carro quando o necessário ( e ele aperfeiçoaria essas e outras caracteristicas no decorrer de sua carreira). Jim Clark correu o mundial de Formula 1 de 1960 com um Lotus 18, equipado com motor Climax. Na Formula Junior, usou o mesmo carro, mas equipado com um motor Ford, de menor potência. Era um carro estremamente dificil de dirigir e estremamente fragil. O GP da Belgica de 1960 foi apenas a segunda corrida de Clark no mundial, sendo a segunda vez que corria em SPa, mas a primeira com um Formula.Nos treinos todos os pilotos da Lotus tem problemas, alguns se acidentam gravemente, inclusive o grande Stirling Moss, que ficaria de fora de varias corridas, por sofrer um acidente gravissimo, quase fatal. Na corrida morre um dos companheiros de equipe de Clark, Alan Stacy ( 1 ano mais novo do que Jim, mas com 1 ano a mais de experiencia na Formula 1). Jim Clark mesmo quase perdendo o controle algumas vezes ( os acidentes foram por causas claramente mecanicas, (somadas as caracteristicas que a perigosa pista de spa tinha na época.Era um traçado mais longa e mais dificil - e não apenas por ser mais extenso- do que a atual) as quais a equipe não conseguia naquele momento resolver),mesmo abalado com os acidentes de seus companheiros, levou o carro até um excelente 5o lugar, marcando seus primeiros pontos. Em 1961, além de disputar a temporada de f1, participa de grandes prêmios extra campeonato e de corridas de carros esportivos. Clark não tinha carro para brigar por vitórias e títulos, e mesmo com sua pouca experiência, seu talento era reconhecido. Na Holanda brigou pelo segundo lugar com a Ferrari de Hill, chegando a ultrapassar o piloto americano algumas vezes apesar de ter um carro muito inferior.Quase ao final da prova, percebendo que não teria condições de terminar na frente de P. Hill, Clark o deixou passar. Na penúltima corrida do mundial daquele ano, em Monza, Clark, correndo pela primeira vez na pista (por ordem da equipe, ele ficou de fora do GP da Italia do ano anterior), fez uma largada brilhante, mas no inicio da segunda volta, chocou-se com o Ferrari 156 do conde alemão Wolfgang Graf Berghe von Trips, líder do campeonato e favorito ao título, que largara na pole position. Morreram o piloto da Ferrari e 14 espectadores. Clark sentiu que von Trips era o responsável pelo acidente, mas preferiu ficar quieto. Quase até o final de sua vida, o escocês foi responsabilizado pelo acidente.
Em 1962, Chapman lançou, pelas mãos de Clark o revolucionário Lotus 25, na primeira corrida do mundial, disputada nos Países Baixos. O modelo 25 se tornaria o primeiro carro de chassi monocoque bem sucedido.Antes do campeonato porem, a Lotus forneceu o modelo 24 a Clark ( e vendeu o mesmo carro para particulares). Com o Lotus 24 Clark fez algumas corridas em 1962, saindo-se muito bem. Tudo indicava que seria com esse carro que a equipe brigaria por seu primeiro título. Mas, surpreendendo a todos, no primeiro GP do mundial de 1962, a equipe deu o novo e revolucionário 25 para Clark competir, enquanto Taylor, companheiro do escoces, corria com o já relativamente bem testado 24, um carro "tradicional". Naquela etapa do campeonato a opção dada a Taylor se mostrou mais vantajosa, em termos de resultado final: Com o quase não testado 25, Clark largou em 3o, atrás de Graham Hill, da BRM e do Lola de Surtees. na corrida Clark liderou por algumas voltas, parecendo que iria dominar a prova, mas embreagem soltou-se. Por mais 60 voltas Clark tentou levar um carro problematico até o final, desestindo definitivamente a 10 voltas do término. Taylor, com o Lotus 24 foi segundo, atrás do vencedor Graham Hill, que competia com o modelo P57, que vinha sendo desenvolvido desde o ano anterior. Um carro mais fácil de dirigir, mais confiável e, vez ou outra, até mais rápido que o Lotus 25. O ano de Clark foi marcado por atuações mágicas, pelo desenvolvimento incrível do 25 e por uma série de problemas mecânicos. Jim chegou a ultima corrida só precisando de uma vitória para ser campeão. Partiu na frente e dominava a prova, quando um vasamento de óleo deu a vitória e o título (ambos com todos os meritos, pelo trabalho duro e o oportunismo) para Hill. Os mecânicos haviam esquecido de apertar um parafuso. É possivel que o mais notavel do desempenho de Jim Clark em 1962 visto de uma maneira ampla seja o fato de um piloto que era menos experiente que o talentoso e esforçado Hill, e que estava pilotando um carro que não só era menos desenvolvido que o da BRM, como era um CONCEITO TOTALMENTE NOVO e portanto na teoria cheio de falhas a serem sanadas antes de se tornar competitivamente viavel, chegou até a ultima corrida com boas chances de ser campeão, só perdendo por uma fatalidade e vencendo de forma tão absoluta (a campanha de Clark em 1963 foi, de certa forma enganadora: não reflete a diferença real de carros que de fato existia, mas não era tão grande) no ano seguinte, como veremos adiante.
Em 1963 a história foi outra: Clark se tornou o então mais jovem campeão, aos 27 anos, além de bater ou igualar muitos recordes de uma temporada: 7 vitórias, 7 poles 6 voltas mais rápidas (igualando Ascari em 1952) 73 pontos absolutos (54 válidos), 9 pódios (até então recorde, e também recorde de pódios consecutivos). O desempenho pode fazer parecer que o Lotus 25 era um carro muito superior em 1963. Impressão falsa. Ele foi uma maquina "um pouco melhor" que a concorrência no balanço do ano. Clark é quem fazia a diferença. Na abertura do campeonato, em Monte Carlo, Clark perdeu a liderança para Graham Hill na largada, mas recuperou 18 voltas depois. O "Escocês voador" liderou por 60 voltas, até a caixa de câmbio do carro quebrar. Após o GP de estréia, Clark venceu as 4 corridas seguintes consecutivamente, e mais impressionante, com o mesmo jogo de pneus. Na Alemanha, usando pelo quinto GP os mesmos pneus, e com problemas no motor, chegou em segundo com muita dificuldade. Na Itália, aonde ainda era massacrado pela opnião publica, venceu a dura batalha com o Ferrari de Surtees, o BRM de Hill e o Braham de Gurney, que nessa corrida tinham carros nitidamente melhores, sagrando-se assim, campeão por antecipação. Nos EUA, problemas com a bateria na largada, fizeram Clark perder mais de uma volta em relação a todos os concorrentes já no começo da prova. Ele fez uma corrida de recuperação e chegou em terceiro. Nesse ano Clark estreou nas 500 Milhas de Indianápolis. O Lotus de motor traseiro foi motivo de piada antes da corrida. Mas quase venceu. Em agosto, participou de outra etapa da fórmula indy, em Milwalkee, aonde chegou em primeiro após dura batalha com Foyt e Gurney.
1964: 3° lugar
Parecia que o campeonato de 1964 seria igual ao de 1963: Clark dominava o GP de Monaco, abertura da temporada, um pneu furado o fez perder posições. O Escoces fez uma genial corrida de recuperação e estava em segundo quando, a quatro voltas do final, quando o motor de seu Lotus estourou. Mesmo assim, ficou em quarto. Na sequência venceu na Holanda e na Bélgica, onde largou em sexto por problemas com o câmbio nos treinos: Clark apesar de não ter carro para acompanhar seus principais concorrentes na prova (Dan Gurney e Graham Hill, que estavam mais rápidos pararam por pane seca. John Surtees, e Bruce McLaren que teve problemas com combustível no final da corrida e ainda assim chegou a apenas 3,5 segundos de Clark), Jim soube poupar combustivel, assumindo a liderança na ultima volta (foi a única que vez que ele não liderou o maior número de voltas de um GP ao qual venceu). Neste GP da Bélgica, o combustível de Clark acabou na volta de comemoração da vitória e Jim Clark chegou a metade do campeonato como líder. Chapman resolveu então estrear o Lotus 33 num GP valido para o mundial, a primeira corrida da segunda metade (6ª etapa do campeonato, na Alemanha). O carro havia sido pouco testado, participara das 200 milhas de Aintree alguns meses antes, mas ficara seriamente danificado. Jim achava que era prematuro usar o 33, além de se sentir mais a vontade com seu velho e leal Lotus 25. Mesmo assim Colin manteve sua decisão. No GP da Alemanha, Clark com muito esforço largou em segundo e manteve essa posição até abandonar por problemas mecânicos. Algo semelhante aconteceu nas corridas seguintes, Áustria e Itália. Em nenhum momento dessas 3 provas, o escocês teve chances de vitória. Mas foi, dentro das limitações do carro, brilhante, fazendo o máximo que podia. O 33 era aperfeiçoado e uma luz no fim do tunel se abria. Nos GP dos EUA, penúltima etapa, Clark saiu na pole e, apos certo tempo na liderança, um contratempo o obrigou a fazer uma corrida de recuperação. Estava em segundo quando a bomba de gasolina falhou, a 7 voltas do fim. Na última corrida, Jim saiu na pole e ia vencer a prova e o campeonato, quando a 2 voltas do fim o motor ficou sem óleo e explodiu. Ele chegou em quinto na prova, ficando em terceiro na classificação geral. Soube-se depois que foi um erro no cálculo da quantidade de óleo colocado no carro. Mesmo com a perda do titulo máximo o ano não foi de todo improdutivo: Clark partiu na pole em Indianápolis (aonde a grande maioria dos competidores usava agora carros de motor traseiro) e teria vencido a corrida não fosse a quebra da suspensão. O escocês venceu a BTCC, campeonato Inglês de Turismo, uma espécie de "Stock Car inglesa" numa tradução livre. Ao todo em 1964, Jim Clark participou de 47 corridas. Ao final do ano, Clark recebeu, das mãos da Rainha Elisabeth II a OBE.
1965: Bicampeonato
Na temporada de 1965, Clark participou pela primeira vez da Copa da Tasmânia, campeonato de 8 corridas disputadas na Austrália e Nova Zelândia (metade em cada país) em janeiro e fevereiro. Era uma competição automobilística muito importante na época. Jim foi campeão, e ainda foi campeão do campeonato francês de fórmula 2, venceu corridas importantes de carros esportivos, turismo e outras competições. Teve um desempenho ótimo em corridas importantes que acabou não vencendo, como o Tourist Trophy, (valido para o mundial de marcas) a corrida dos campeões e as 200 milhas de Riverside (conhecida também como Times Mirror GP), mas principalmente, conquistou seu segundo título na fórmula 1, com 6 vitórias em 9 corridas (de um total de 10). Para correr em Indianapolis, Clark inclusive abriu mão de participar do GP de Monaco, na mesma data. Apesar dos resultados não mostrarem, a disputa foi dura com a BRM e, em algumas corridas, com a Brabham e a Ferrari. Clark ganhou as 6 primeiras corridas que disputou consecutivamente. Com a ausência na prova de Monte Carlo, a segunda etapa, contabilizamos 5 vitórias consecutivas "oficiais" para o escocês, na época a segunda melhor marca do mundo, igualada a de Jack Brabham em 1960 com um Cooper e só superada pelas 7 (9, se for descontada as 500 milhas de indianapolis de 1953, critério utilizado por alguns) de Ascari, em 1952-1953, com um Cooper. Sendo que as marcas de Ascari e Brabham foram obitidas com um carro cuja superioridade em relação aos concorrentes era maior do que o Lotus 33 de 1965. No GP da Inglaterra, Clark obteve sua 4a vitória seguida (então outro recorde), e enfrentou sérios problemas com a pressão do óleo. Após conquistar o título na 7ª etapa (a sua 6ª vitória no ano) Clark e a Lotus relaxaram nas corridas finais. Ainda brigou com as BRMs de Hill e Stewart na prova seguinte, na Itália, se revezando diversas vezes na liderança com esses 2 pilotos, antes de abandonar. No México, etapa final, fez a pole. Mas abandonou nas voltas iniciais e em nenhum momento ameaçou a vitória de ponta a ponta da Honda de Richie Ginther. Em 1965, Clark foi primeiro ou segundo no grid em todas as corridas que participou, totalizando 9 vezes. Clark tirara o mês de maio inteiro para se preparar para Indianápolis. E ele obteve uma das vitórias mais expressivas da história da famosa corrida, liderando 190 das 200 voltas e vencendo com praticamente 2 minutos de vantagem. A era dos carros com motor traseiro estava definitivamente estabelecida na fórmula indy, e Clark teve grande parte do mérito, que se torna mais expressivo se for levado em conta as pouquíssimas vezes que ele competiu na categoria. No total Clark venceu expressivas 23 corridas em 1965, na Europa, a América do Norte, Oceania e África. Pouquíssimos esportistas chegam a ser capa da famosa revista Time, e a grande maioria é nascida nos Estados Unidos. Dentro os esportistas apenas 3 foram automobilistas, e Clark foi o único estrangeiro. O escocês foi capa numa edição de 1965. Além do ritimo intenso de trabalho em corridas, treinos e testes, Clark também tinha muitos compromissos sociais, além de alguns comerciais, cujo o número cresceria nos anos seguintes.
Em 1966 começou uma "nova" fórmula 1, com motores de 3 litros. A Lotus não conseguiu fazer um carro competitivo. Clark sofreu 2 acidentes, 1 grave: nos treinos para o GP da França, quando foi atingido no rosto por um pássaro e um no GP da Alemanha. Mesmo assim, teve quase sempre bons desempenhos, sendo alguns brilhantes, como nos GPs da Inglaterra, realizado duas semanas depois do acidente da França. Clark ainda estava seriamente machucado. O carro era ruim e o motor ultrapasssado. Choveu antes da corrida deixando a pista mais difícil e perigosa. Apartir de um determinado momento da prova, Clark ficou sem freios e mesmo assim levou seu Louts a um quarto lugar. Outra atuação brilhante aconteceu na Holanda, aonde durante a maior parte da corrida Clark liderou, e mesmo quando estava atrás de Jack Brabham, deu trabalho para o australiano por algum tempo. Jim Clark se tornou o único piloto a vencer um GP do Mundial com o motor BRM de 16 cilindros, nos EUA. Na Copa da Tasmânia, Clark foi terceiro. Nas 500 milhas de indianápolis, conquistou um brilhante segundo lugar. Para alguns foi uma atuação superior, pelas circunstâncias, á vitória do ano anterior. Uma semana após o GP dos EUA, Clark estava no Japão para participar de uma corrida de F-indy fora do campeonato. Mas por uma série de problemas não largou. Ainda em 1966 Jimmy voltou, após quase 10 anos, a disputar um rali, o do RAC. Teve um ótimo desempenho antes do carro quebrar. Foi nesse ano que Clark disputou pela última vez eventos na Inglaterra, com exceção do GP do Mundial de Fórmula 1. Problemas com impostos fizeram com que o escocês fosse morar na Suiça.
1967: 3° lugar
A temporada de 1967 começou com um titulo na Copa da Tasmânia, mesmo utilizando um ultrapassado Lotus 33, adaptado para a categoria, Clark em 8 corridas ganhou 5 e foi 3 vezes segundo colocado. O motor que a Ford (em associação com a Cosworth) desenvolvia para a Lotus desde o ano anterior, ficou pronto para terceira etapa, na Holanda. O Cosworth DFV se tornou o mais bem sucedido motor na história da Fórmula 1, ganhando inclusive em sua estréia. Problemas no desenvolvimento do carro tiraram o título de Clark. Tudo levava a crer que no ano seguinte Jim Clark voltaria a conquistar o titulo.
1968: última vitória e o acidente fatal
Colin Chapman para não "acabar com a fórmula 1" concordou em vender o motor para outras equipes. No GP da Africa do Sul de 1968, Jim Clark se tornou o maior vencedor de GPs válidos para o mundial de fórmula um. O escocês conquistou seu terceiro título na Copa da Tasmânia, desta vez com um carro de formula 2 adaptado, o Lotus 48. O intervalo entre a derradeira vitoria de Clark no Mundial, na Africa do Sul e a primeira das 8 etapas da Copa da Tasmania em Pukekohe na Nova Zelandia foi de apenas 5 dias
Tudo levava a crer que viria um terceiro título de fórmula 1 e uma segunda vitória em Indianápolis. Clark detinha na época quase todos os recordes da formula um e estava muito perto de alcançar o de pontos e o de freqüências ao podium, então nas mãos de Fangio. Mas em 7 de Abril de 1968 durante uma corrida da Fórmula 2 em Hockenheim, Alemanha, Jim Clark morreu quando seu carro saiu de curso e bateu em algumas árvores. A causa do acidente nunca foi definitivamente identificada, mas investigadores concluíram que um pneu traseiro vazio foi a causa mais provável. Sua morte foi um grande golpe para a equipe e para a Fórmula 1. Clark permaneceu fiel a Lotus durante quase toda a sua carreira (toda na fórmula 1). Foi ele quem tornou famosa a equipe, ajudando o time de Colin Chapman a estabelecer os alicerces na fórmula 1 moderna. O campeonato de 1968 foi vencido pelo seu companheiro de equipe, Graham Hill.
Em sua carreira de Fórmula 1, Clark venceu 25 corridas e conseguiu 33 pole positions. Clark diferiu da atual geração de pilotos de Fórmula 1 devido a sua habilidade de guiar e vencer em todos os tipos de carro. Sua performance no Lotus Cortina em stock cars foi excelente, ele correu na Nascar americana (para a equipe Holman e Moody), lutando com os desajeitados carros esportivos da Lotus, incluindo os tipo 30 e 40 e dirigindo os carros Lotus da Indy em corridas de subida a montanha na Suíça. Clark sobressaiu em uma época quando pilotar de forma absolutamente genial era mais importante que contratos comerciais e proteção ao piloto. Piloto rápido, mas ao mesmo tempo frio, sabia quando acelerar. Estrategista brilhante, se adaptava a situações adversas. Errava muito pouco, bem como sabia poupar o equipamento, que aliás gastava geralmente menos do que outros pilotos com o mesmo carro no mesmo ritmo. Ao contrário do que muitos dizem hoje, foi um brilhante acertador de carros.
Seu recorde de vitórias foi batido 5 anos após a sua morte, por seu compatriota Jackie Stewart. Algumas das marcas mais significativas de Clark só foram superadas ou ao menos igualadas nos anos 80, por pilotos, que além de grandes gênios, corriam em condições muito mais favoráveis (apenas a constação de um fato; não significa por si só que tenham sido melhores ou piores do que Clark, aliás essa é uma discussão subjetiva, da qual o presente artigo não vai tomar posição). O total de pontos que ele obteve em 1963, 73 (54 válidos) durou até 1985, quando Prost fez 76. Note-se que o campeonato de 1963 teve 10 corridas, enquanto o de 1985 teve 16. Que os carros de meados dos anos 80, embora não possam ser comparados aos do finalzinho do século XX e inicio do XXI, já eram, em comparação aos dos anos 60, muito mais duráveis e seguros. Além disso, os pilotos nos anos 80 se dedicavam muito mais a fórmula um, não se dividindo em outras categorias, testavam muito mais, as equipes tinham muito mais recursos, e até fatores indiretos como por exemplo a evolução da medicina facilitaram a vida dos pilotos. O acidente que nos anos 60 poderia ser fatal, deixar aleijado ou requerer longa recuperação, nos anos 80 poderia ser superado de forma muito mais eficiente e em tempo muito mais rápido.
O recorde absoluto de voltas mais rápidas foi quebrado por Prost em 1988, no mesmo ano em que Senna quebrou o recorde de vitórias em um mesmo campeonato. O mesmo Senna, em 1989, deixou para trás o escocês em poles, enquanto Prost nesse mesmo ano, chegava ao recorde de voltas na liderança. Por uma série de circunstâncias, resumidas nesse artigo, toma-se a noção que os números de Clark, mesmo antes de seu acidente poderiam ser mais impressionantes. Por outro lado, os números que Jimmy obteve, a durabilidade de suas marcas, se importantes, não foram o principal legado de Clark, aliás dentre tantas contribuições, algumas inconscientes, fica difícil destacar uma como a mais importante. Clark influenciou, como piloto e pessoa, direta ou indiretamente, automobilistas de muitas gerações embora nem todos os seus "pupilos" tivessem as suas características. Jackie Stewart, que correu com Clark, e Nigel Mansell que, então adolescente era (como é até hoje) seu grande fã, são apenas dois exemplos. Jim era, enfim admirado e respeitado por todos. Quando Clark morreu, Chris Amon disse: "Se isso pôde acontecer a ele, que chance o resto de nós tem?"
Ele foi introduzido no International Motorsports Hall of Fame em 1990.
Abaixo, imagens (já onboard - é!!!) do GP de Oulton Park em 1963.
Seu nome era James Clark Jr. vindo de uma família de fazendeiros em Kilmany, Escócia, sendo o filho mais novo e o único menino.
Ínicio no automobilismo
Começou a se interessar por corridas aos 15 anos, participando de eventos amadores de rali já aos 17. Aos 20 anos, em 1956, com a idade minima exigida na época em seu país, começa a participar de competições de verdade. Mas nesse ano, como em 1957 ainda prioriza o serviço na fazenda de seus pais. Em 1958, corre pela primeira vez fora do Reino Unido, em SPA. Não gostou da pista desde o primeiro encontro. No mesmo ano conhece Colin Chapman, participando em 26 de dezembro de sua primeira corrida com um modelo Lotus, o Elite. Com o mesmo carro, quase vence na sua classe, em sua primeira participação nas 24 horas de Le Mans, em 1959. No final do ano disputa uma corrida de Fórmula júnior (hoje fórmula 3), com um Gemini. Foi sua primeira corrida com um carro de Fórmula (apesar de antes ter participado de eventos chamados "formula Libre" ele disputou os mesmos com carros turismo ou esporte, dependendo do evento- as vezes participava de mais de um evento de uma vez, com carros diferentes). Após 50 vitórias em Ralis, subidas de montanha, speed trials, corridas de carros sport e carros turismo, Clark começa a correr nas categorias monoposto (ou "de Fórmula").
Fórmula 1
1960-1962Em 1960 Clark disputou e venceu 2 campeonatos ingleses de Formula Junior ( ou fórmula 3), um deles empatado em pontos com seu companheiro Taylor. Simultaneamente, participava de eventos de fórmula 2 e fórmula 1. Nesse mesmo ano, com um Aston Martin superado, chegou em terceiro lugar nas 24 horas de Le Mans.Nesse primeiro ano de aprendizado na Formula 1 o nivel do desempenho de Clark foi considerado muito bom em relação aos demais pilotos e otimo para um estreante. Mas o piloto e aqueles que o conheciam sabiam que ele rendeu menos do que poderia, mesmo sendo debutante. Entre os pilotos que corriam de Lotus, incluindo os particulares (teoricamente não havia limite de carros por equipe), Clark inicialmente largava sempre em ultimo, só aos poucos se tornaria o piloto mais rapido da Lotus (salvo eventualidades), posição conseguida algumas vezes em 1961 e consolidade no ano seguinte. Por outro lado, desde o inicio Jim se mostrava estremamente tecnico e inteligente para estabelecer um ritimo de corrida, poupar o carro quando o necessário ( e ele aperfeiçoaria essas e outras caracteristicas no decorrer de sua carreira). Jim Clark correu o mundial de Formula 1 de 1960 com um Lotus 18, equipado com motor Climax. Na Formula Junior, usou o mesmo carro, mas equipado com um motor Ford, de menor potência. Era um carro estremamente dificil de dirigir e estremamente fragil. O GP da Belgica de 1960 foi apenas a segunda corrida de Clark no mundial, sendo a segunda vez que corria em SPa, mas a primeira com um Formula.Nos treinos todos os pilotos da Lotus tem problemas, alguns se acidentam gravemente, inclusive o grande Stirling Moss, que ficaria de fora de varias corridas, por sofrer um acidente gravissimo, quase fatal. Na corrida morre um dos companheiros de equipe de Clark, Alan Stacy ( 1 ano mais novo do que Jim, mas com 1 ano a mais de experiencia na Formula 1). Jim Clark mesmo quase perdendo o controle algumas vezes ( os acidentes foram por causas claramente mecanicas, (somadas as caracteristicas que a perigosa pista de spa tinha na época.Era um traçado mais longa e mais dificil - e não apenas por ser mais extenso- do que a atual) as quais a equipe não conseguia naquele momento resolver),mesmo abalado com os acidentes de seus companheiros, levou o carro até um excelente 5o lugar, marcando seus primeiros pontos. Em 1961, além de disputar a temporada de f1, participa de grandes prêmios extra campeonato e de corridas de carros esportivos. Clark não tinha carro para brigar por vitórias e títulos, e mesmo com sua pouca experiência, seu talento era reconhecido. Na Holanda brigou pelo segundo lugar com a Ferrari de Hill, chegando a ultrapassar o piloto americano algumas vezes apesar de ter um carro muito inferior.Quase ao final da prova, percebendo que não teria condições de terminar na frente de P. Hill, Clark o deixou passar. Na penúltima corrida do mundial daquele ano, em Monza, Clark, correndo pela primeira vez na pista (por ordem da equipe, ele ficou de fora do GP da Italia do ano anterior), fez uma largada brilhante, mas no inicio da segunda volta, chocou-se com o Ferrari 156 do conde alemão Wolfgang Graf Berghe von Trips, líder do campeonato e favorito ao título, que largara na pole position. Morreram o piloto da Ferrari e 14 espectadores. Clark sentiu que von Trips era o responsável pelo acidente, mas preferiu ficar quieto. Quase até o final de sua vida, o escocês foi responsabilizado pelo acidente.
Em 1962, Chapman lançou, pelas mãos de Clark o revolucionário Lotus 25, na primeira corrida do mundial, disputada nos Países Baixos. O modelo 25 se tornaria o primeiro carro de chassi monocoque bem sucedido.Antes do campeonato porem, a Lotus forneceu o modelo 24 a Clark ( e vendeu o mesmo carro para particulares). Com o Lotus 24 Clark fez algumas corridas em 1962, saindo-se muito bem. Tudo indicava que seria com esse carro que a equipe brigaria por seu primeiro título. Mas, surpreendendo a todos, no primeiro GP do mundial de 1962, a equipe deu o novo e revolucionário 25 para Clark competir, enquanto Taylor, companheiro do escoces, corria com o já relativamente bem testado 24, um carro "tradicional". Naquela etapa do campeonato a opção dada a Taylor se mostrou mais vantajosa, em termos de resultado final: Com o quase não testado 25, Clark largou em 3o, atrás de Graham Hill, da BRM e do Lola de Surtees. na corrida Clark liderou por algumas voltas, parecendo que iria dominar a prova, mas embreagem soltou-se. Por mais 60 voltas Clark tentou levar um carro problematico até o final, desestindo definitivamente a 10 voltas do término. Taylor, com o Lotus 24 foi segundo, atrás do vencedor Graham Hill, que competia com o modelo P57, que vinha sendo desenvolvido desde o ano anterior. Um carro mais fácil de dirigir, mais confiável e, vez ou outra, até mais rápido que o Lotus 25. O ano de Clark foi marcado por atuações mágicas, pelo desenvolvimento incrível do 25 e por uma série de problemas mecânicos. Jim chegou a ultima corrida só precisando de uma vitória para ser campeão. Partiu na frente e dominava a prova, quando um vasamento de óleo deu a vitória e o título (ambos com todos os meritos, pelo trabalho duro e o oportunismo) para Hill. Os mecânicos haviam esquecido de apertar um parafuso. É possivel que o mais notavel do desempenho de Jim Clark em 1962 visto de uma maneira ampla seja o fato de um piloto que era menos experiente que o talentoso e esforçado Hill, e que estava pilotando um carro que não só era menos desenvolvido que o da BRM, como era um CONCEITO TOTALMENTE NOVO e portanto na teoria cheio de falhas a serem sanadas antes de se tornar competitivamente viavel, chegou até a ultima corrida com boas chances de ser campeão, só perdendo por uma fatalidade e vencendo de forma tão absoluta (a campanha de Clark em 1963 foi, de certa forma enganadora: não reflete a diferença real de carros que de fato existia, mas não era tão grande) no ano seguinte, como veremos adiante.
1963-1965
1963: Primeiro títuloEm 1963 a história foi outra: Clark se tornou o então mais jovem campeão, aos 27 anos, além de bater ou igualar muitos recordes de uma temporada: 7 vitórias, 7 poles 6 voltas mais rápidas (igualando Ascari em 1952) 73 pontos absolutos (54 válidos), 9 pódios (até então recorde, e também recorde de pódios consecutivos). O desempenho pode fazer parecer que o Lotus 25 era um carro muito superior em 1963. Impressão falsa. Ele foi uma maquina "um pouco melhor" que a concorrência no balanço do ano. Clark é quem fazia a diferença. Na abertura do campeonato, em Monte Carlo, Clark perdeu a liderança para Graham Hill na largada, mas recuperou 18 voltas depois. O "Escocês voador" liderou por 60 voltas, até a caixa de câmbio do carro quebrar. Após o GP de estréia, Clark venceu as 4 corridas seguintes consecutivamente, e mais impressionante, com o mesmo jogo de pneus. Na Alemanha, usando pelo quinto GP os mesmos pneus, e com problemas no motor, chegou em segundo com muita dificuldade. Na Itália, aonde ainda era massacrado pela opnião publica, venceu a dura batalha com o Ferrari de Surtees, o BRM de Hill e o Braham de Gurney, que nessa corrida tinham carros nitidamente melhores, sagrando-se assim, campeão por antecipação. Nos EUA, problemas com a bateria na largada, fizeram Clark perder mais de uma volta em relação a todos os concorrentes já no começo da prova. Ele fez uma corrida de recuperação e chegou em terceiro. Nesse ano Clark estreou nas 500 Milhas de Indianápolis. O Lotus de motor traseiro foi motivo de piada antes da corrida. Mas quase venceu. Em agosto, participou de outra etapa da fórmula indy, em Milwalkee, aonde chegou em primeiro após dura batalha com Foyt e Gurney.
1964: 3° lugar
Parecia que o campeonato de 1964 seria igual ao de 1963: Clark dominava o GP de Monaco, abertura da temporada, um pneu furado o fez perder posições. O Escoces fez uma genial corrida de recuperação e estava em segundo quando, a quatro voltas do final, quando o motor de seu Lotus estourou. Mesmo assim, ficou em quarto. Na sequência venceu na Holanda e na Bélgica, onde largou em sexto por problemas com o câmbio nos treinos: Clark apesar de não ter carro para acompanhar seus principais concorrentes na prova (Dan Gurney e Graham Hill, que estavam mais rápidos pararam por pane seca. John Surtees, e Bruce McLaren que teve problemas com combustível no final da corrida e ainda assim chegou a apenas 3,5 segundos de Clark), Jim soube poupar combustivel, assumindo a liderança na ultima volta (foi a única que vez que ele não liderou o maior número de voltas de um GP ao qual venceu). Neste GP da Bélgica, o combustível de Clark acabou na volta de comemoração da vitória e Jim Clark chegou a metade do campeonato como líder. Chapman resolveu então estrear o Lotus 33 num GP valido para o mundial, a primeira corrida da segunda metade (6ª etapa do campeonato, na Alemanha). O carro havia sido pouco testado, participara das 200 milhas de Aintree alguns meses antes, mas ficara seriamente danificado. Jim achava que era prematuro usar o 33, além de se sentir mais a vontade com seu velho e leal Lotus 25. Mesmo assim Colin manteve sua decisão. No GP da Alemanha, Clark com muito esforço largou em segundo e manteve essa posição até abandonar por problemas mecânicos. Algo semelhante aconteceu nas corridas seguintes, Áustria e Itália. Em nenhum momento dessas 3 provas, o escocês teve chances de vitória. Mas foi, dentro das limitações do carro, brilhante, fazendo o máximo que podia. O 33 era aperfeiçoado e uma luz no fim do tunel se abria. Nos GP dos EUA, penúltima etapa, Clark saiu na pole e, apos certo tempo na liderança, um contratempo o obrigou a fazer uma corrida de recuperação. Estava em segundo quando a bomba de gasolina falhou, a 7 voltas do fim. Na última corrida, Jim saiu na pole e ia vencer a prova e o campeonato, quando a 2 voltas do fim o motor ficou sem óleo e explodiu. Ele chegou em quinto na prova, ficando em terceiro na classificação geral. Soube-se depois que foi um erro no cálculo da quantidade de óleo colocado no carro. Mesmo com a perda do titulo máximo o ano não foi de todo improdutivo: Clark partiu na pole em Indianápolis (aonde a grande maioria dos competidores usava agora carros de motor traseiro) e teria vencido a corrida não fosse a quebra da suspensão. O escocês venceu a BTCC, campeonato Inglês de Turismo, uma espécie de "Stock Car inglesa" numa tradução livre. Ao todo em 1964, Jim Clark participou de 47 corridas. Ao final do ano, Clark recebeu, das mãos da Rainha Elisabeth II a OBE.
1965: Bicampeonato
Na temporada de 1965, Clark participou pela primeira vez da Copa da Tasmânia, campeonato de 8 corridas disputadas na Austrália e Nova Zelândia (metade em cada país) em janeiro e fevereiro. Era uma competição automobilística muito importante na época. Jim foi campeão, e ainda foi campeão do campeonato francês de fórmula 2, venceu corridas importantes de carros esportivos, turismo e outras competições. Teve um desempenho ótimo em corridas importantes que acabou não vencendo, como o Tourist Trophy, (valido para o mundial de marcas) a corrida dos campeões e as 200 milhas de Riverside (conhecida também como Times Mirror GP), mas principalmente, conquistou seu segundo título na fórmula 1, com 6 vitórias em 9 corridas (de um total de 10). Para correr em Indianapolis, Clark inclusive abriu mão de participar do GP de Monaco, na mesma data. Apesar dos resultados não mostrarem, a disputa foi dura com a BRM e, em algumas corridas, com a Brabham e a Ferrari. Clark ganhou as 6 primeiras corridas que disputou consecutivamente. Com a ausência na prova de Monte Carlo, a segunda etapa, contabilizamos 5 vitórias consecutivas "oficiais" para o escocês, na época a segunda melhor marca do mundo, igualada a de Jack Brabham em 1960 com um Cooper e só superada pelas 7 (9, se for descontada as 500 milhas de indianapolis de 1953, critério utilizado por alguns) de Ascari, em 1952-1953, com um Cooper. Sendo que as marcas de Ascari e Brabham foram obitidas com um carro cuja superioridade em relação aos concorrentes era maior do que o Lotus 33 de 1965. No GP da Inglaterra, Clark obteve sua 4a vitória seguida (então outro recorde), e enfrentou sérios problemas com a pressão do óleo. Após conquistar o título na 7ª etapa (a sua 6ª vitória no ano) Clark e a Lotus relaxaram nas corridas finais. Ainda brigou com as BRMs de Hill e Stewart na prova seguinte, na Itália, se revezando diversas vezes na liderança com esses 2 pilotos, antes de abandonar. No México, etapa final, fez a pole. Mas abandonou nas voltas iniciais e em nenhum momento ameaçou a vitória de ponta a ponta da Honda de Richie Ginther. Em 1965, Clark foi primeiro ou segundo no grid em todas as corridas que participou, totalizando 9 vezes. Clark tirara o mês de maio inteiro para se preparar para Indianápolis. E ele obteve uma das vitórias mais expressivas da história da famosa corrida, liderando 190 das 200 voltas e vencendo com praticamente 2 minutos de vantagem. A era dos carros com motor traseiro estava definitivamente estabelecida na fórmula indy, e Clark teve grande parte do mérito, que se torna mais expressivo se for levado em conta as pouquíssimas vezes que ele competiu na categoria. No total Clark venceu expressivas 23 corridas em 1965, na Europa, a América do Norte, Oceania e África. Pouquíssimos esportistas chegam a ser capa da famosa revista Time, e a grande maioria é nascida nos Estados Unidos. Dentro os esportistas apenas 3 foram automobilistas, e Clark foi o único estrangeiro. O escocês foi capa numa edição de 1965. Além do ritimo intenso de trabalho em corridas, treinos e testes, Clark também tinha muitos compromissos sociais, além de alguns comerciais, cujo o número cresceria nos anos seguintes.
1966-1968
1966: 6º lugarEm 1966 começou uma "nova" fórmula 1, com motores de 3 litros. A Lotus não conseguiu fazer um carro competitivo. Clark sofreu 2 acidentes, 1 grave: nos treinos para o GP da França, quando foi atingido no rosto por um pássaro e um no GP da Alemanha. Mesmo assim, teve quase sempre bons desempenhos, sendo alguns brilhantes, como nos GPs da Inglaterra, realizado duas semanas depois do acidente da França. Clark ainda estava seriamente machucado. O carro era ruim e o motor ultrapasssado. Choveu antes da corrida deixando a pista mais difícil e perigosa. Apartir de um determinado momento da prova, Clark ficou sem freios e mesmo assim levou seu Louts a um quarto lugar. Outra atuação brilhante aconteceu na Holanda, aonde durante a maior parte da corrida Clark liderou, e mesmo quando estava atrás de Jack Brabham, deu trabalho para o australiano por algum tempo. Jim Clark se tornou o único piloto a vencer um GP do Mundial com o motor BRM de 16 cilindros, nos EUA. Na Copa da Tasmânia, Clark foi terceiro. Nas 500 milhas de indianápolis, conquistou um brilhante segundo lugar. Para alguns foi uma atuação superior, pelas circunstâncias, á vitória do ano anterior. Uma semana após o GP dos EUA, Clark estava no Japão para participar de uma corrida de F-indy fora do campeonato. Mas por uma série de problemas não largou. Ainda em 1966 Jimmy voltou, após quase 10 anos, a disputar um rali, o do RAC. Teve um ótimo desempenho antes do carro quebrar. Foi nesse ano que Clark disputou pela última vez eventos na Inglaterra, com exceção do GP do Mundial de Fórmula 1. Problemas com impostos fizeram com que o escocês fosse morar na Suiça.
1967: 3° lugar
A temporada de 1967 começou com um titulo na Copa da Tasmânia, mesmo utilizando um ultrapassado Lotus 33, adaptado para a categoria, Clark em 8 corridas ganhou 5 e foi 3 vezes segundo colocado. O motor que a Ford (em associação com a Cosworth) desenvolvia para a Lotus desde o ano anterior, ficou pronto para terceira etapa, na Holanda. O Cosworth DFV se tornou o mais bem sucedido motor na história da Fórmula 1, ganhando inclusive em sua estréia. Problemas no desenvolvimento do carro tiraram o título de Clark. Tudo levava a crer que no ano seguinte Jim Clark voltaria a conquistar o titulo.
1968: última vitória e o acidente fatal
Colin Chapman para não "acabar com a fórmula 1" concordou em vender o motor para outras equipes. No GP da Africa do Sul de 1968, Jim Clark se tornou o maior vencedor de GPs válidos para o mundial de fórmula um. O escocês conquistou seu terceiro título na Copa da Tasmânia, desta vez com um carro de formula 2 adaptado, o Lotus 48. O intervalo entre a derradeira vitoria de Clark no Mundial, na Africa do Sul e a primeira das 8 etapas da Copa da Tasmania em Pukekohe na Nova Zelandia foi de apenas 5 dias
Tudo levava a crer que viria um terceiro título de fórmula 1 e uma segunda vitória em Indianápolis. Clark detinha na época quase todos os recordes da formula um e estava muito perto de alcançar o de pontos e o de freqüências ao podium, então nas mãos de Fangio. Mas em 7 de Abril de 1968 durante uma corrida da Fórmula 2 em Hockenheim, Alemanha, Jim Clark morreu quando seu carro saiu de curso e bateu em algumas árvores. A causa do acidente nunca foi definitivamente identificada, mas investigadores concluíram que um pneu traseiro vazio foi a causa mais provável. Sua morte foi um grande golpe para a equipe e para a Fórmula 1. Clark permaneceu fiel a Lotus durante quase toda a sua carreira (toda na fórmula 1). Foi ele quem tornou famosa a equipe, ajudando o time de Colin Chapman a estabelecer os alicerces na fórmula 1 moderna. O campeonato de 1968 foi vencido pelo seu companheiro de equipe, Graham Hill.
Legado
Em sua carreira de Fórmula 1, Clark venceu 25 corridas e conseguiu 33 pole positions. Clark diferiu da atual geração de pilotos de Fórmula 1 devido a sua habilidade de guiar e vencer em todos os tipos de carro. Sua performance no Lotus Cortina em stock cars foi excelente, ele correu na Nascar americana (para a equipe Holman e Moody), lutando com os desajeitados carros esportivos da Lotus, incluindo os tipo 30 e 40 e dirigindo os carros Lotus da Indy em corridas de subida a montanha na Suíça. Clark sobressaiu em uma época quando pilotar de forma absolutamente genial era mais importante que contratos comerciais e proteção ao piloto. Piloto rápido, mas ao mesmo tempo frio, sabia quando acelerar. Estrategista brilhante, se adaptava a situações adversas. Errava muito pouco, bem como sabia poupar o equipamento, que aliás gastava geralmente menos do que outros pilotos com o mesmo carro no mesmo ritmo. Ao contrário do que muitos dizem hoje, foi um brilhante acertador de carros.
Seu recorde de vitórias foi batido 5 anos após a sua morte, por seu compatriota Jackie Stewart. Algumas das marcas mais significativas de Clark só foram superadas ou ao menos igualadas nos anos 80, por pilotos, que além de grandes gênios, corriam em condições muito mais favoráveis (apenas a constação de um fato; não significa por si só que tenham sido melhores ou piores do que Clark, aliás essa é uma discussão subjetiva, da qual o presente artigo não vai tomar posição). O total de pontos que ele obteve em 1963, 73 (54 válidos) durou até 1985, quando Prost fez 76. Note-se que o campeonato de 1963 teve 10 corridas, enquanto o de 1985 teve 16. Que os carros de meados dos anos 80, embora não possam ser comparados aos do finalzinho do século XX e inicio do XXI, já eram, em comparação aos dos anos 60, muito mais duráveis e seguros. Além disso, os pilotos nos anos 80 se dedicavam muito mais a fórmula um, não se dividindo em outras categorias, testavam muito mais, as equipes tinham muito mais recursos, e até fatores indiretos como por exemplo a evolução da medicina facilitaram a vida dos pilotos. O acidente que nos anos 60 poderia ser fatal, deixar aleijado ou requerer longa recuperação, nos anos 80 poderia ser superado de forma muito mais eficiente e em tempo muito mais rápido.
O recorde absoluto de voltas mais rápidas foi quebrado por Prost em 1988, no mesmo ano em que Senna quebrou o recorde de vitórias em um mesmo campeonato. O mesmo Senna, em 1989, deixou para trás o escocês em poles, enquanto Prost nesse mesmo ano, chegava ao recorde de voltas na liderança. Por uma série de circunstâncias, resumidas nesse artigo, toma-se a noção que os números de Clark, mesmo antes de seu acidente poderiam ser mais impressionantes. Por outro lado, os números que Jimmy obteve, a durabilidade de suas marcas, se importantes, não foram o principal legado de Clark, aliás dentre tantas contribuições, algumas inconscientes, fica difícil destacar uma como a mais importante. Clark influenciou, como piloto e pessoa, direta ou indiretamente, automobilistas de muitas gerações embora nem todos os seus "pupilos" tivessem as suas características. Jackie Stewart, que correu com Clark, e Nigel Mansell que, então adolescente era (como é até hoje) seu grande fã, são apenas dois exemplos. Jim era, enfim admirado e respeitado por todos. Quando Clark morreu, Chris Amon disse: "Se isso pôde acontecer a ele, que chance o resto de nós tem?"
Ele foi introduzido no International Motorsports Hall of Fame em 1990.
Abaixo, imagens (já onboard - é!!!) do GP de Oulton Park em 1963.
Abaixo, coletânea de imagens de Jim Clark, um dos mais hábeis pilotos de todos os tempos.
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